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Papel toalha

Atualizado: Abr 2

As sombras afiadas na parede

A angústia de não ser aceito

A angústia de não se aceitar

O medo de ficar só

O desejo por dinheiro

O sono que não vem

O lucro que vicia

O doce que vicia

A necessidade de manter a forma

A necessidade de manter o juízo

A fracassada tentativa de ser o personagem perfeito da TV ao dito amor da minha vida

O medo do amanhã

O medo do agora

A porra dos aparelhos que quebram toda hora

A falta de compreensão

O não entendimento entre os nossos

A conduta sempre vigiada

A sede por mais

E a sede por mais

E a solidão por ter nascido da forma que sou

E os amigos que se foram para não voltar

E me fechar novamente ao mundo que nunca compreendi e nunca me compreenderá

Confortável dentro de mim, no jardim que conheço e que não fere com o olhar, nem com a palavra, nem com a distância, nem com a indiferença


A esperança que se esvai

Na torre

No alto da torre que brilha vermelho a esperança se esvai

Não está em minhas mãos, pai

Perdi o controle dado

Perdi

Desde o seu precoce abandono só perdi

E entre todas as angústias a que me presenteiam diariamente, abutres sem rosto dilaceram a minha carne, pai

Não os deixo parar, pois como abutre também me encontrará


Rodrigo Aquiles Santos


***



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