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Calor (ou Direito ao Nu)

Acordo suado, fervendo. Recebo um "bom dia" do clima quente e úmido de Macapá. Vou direto me banhar. Logo após sair do banho penso: "é água ou suor?". Aquela sensação desesperadora. Cê sabe.


O calor logo vence a guerra psicológica, nem sequer teve batalha, primeira rendição do dia. Não penso mais em nada.


Trabalho despido, variando entre nu e seminu. Nada de brisa, nada de trégua. Aguardo fervorosamente a noite chegar enquanto caminho para incontáveis banhos.


Enrolo uma canga ao corpo ainda molhado. Meto a cara pra fora da janela, um bafo quente me recebe. Encaro o Sol, sinto a sua fúria. A devolvo, é o que me resta. Ele já não me intimida. Fito o céu sem nuvens, azul até o infinito. Lindo! Em contraponto, o prelúdio do inferno. Apenas urubus se atrevem.


Deito na cama depois do almoço despido. Coragem. Dormir em dias assim às vezes me faz bem, na rede, então, nem se fala, me sinto acolhido. Às vezes aumenta a raiva. É loteria. Nesse dia, graças-a-deus, foi acolhimento.


Já é noite. Acordo desolado... Calor! Porque isso aqui é Macapá, meu amor!


de Dominique Blanc-Tardif

*escrito em uma noite de 2020.

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